domingo, 25 de março de 2012




Não só quem nos odeia ou nos inveja
Nos limita e oprime; quem nos ama
        Não menos nos limita.
Que os deuses me concedam que, despido
De afetos, tenha a fria liberdade
         Dos píncaros sem nada.
Quem quer pouco, tem tudo; quem quer nada
É livre; quem não tem, e não deseja,
          Homem, é igual aos deuses.


(Ricardo Reis, in O Poeta Fingidor, pg. 43.)

terça-feira, 20 de março de 2012


A liberdade é para poucos despertos.
A única palpitação que ela causa
é quando um coração indignado para,
mostrando que ela continua viva.

(Thomas Moore)

segunda-feira, 19 de março de 2012

COITO VERBAL





a língua lambe o verbo
arrepia o som
e o símbolo assume o signo
que se grafa no papel

quem ouve ou escreve
quem fala ou lê
logo sente o frêmito
da mensagem em penetração
do gozo do entendimento


(Cesar Veneziani, in “Neblina”. Lançamento de seu novo livro será no dia 30/03, no Miquelina Bar, Rua Francismo Miquelina, 306, Bela Vista - SP. Mais informações sobre como adquirir seu livro no site: http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=90&Itemid=54)



A Valsa

Tu, ontem,
Na dança
Que cansa,
Voavas
Coas faces
Em rosas
Formosas
De vivo,
Lascivo
Carmim;
Na valsa,
Corrias,
Fugias,
Ardente,
Contente,
Tranquila,
Serena.
Sem pena
De mim!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...

Meu Deus!
Eras bela,
Donzela,
Valsando,
Sorrindo,
Fugindo,
Qual silfo
Risonho
Que em sonho
Nos vem!
Mas esse
Sorriso
Tão liso
Que tinhas
Nos lábios
De rosa,
Formosa,
Tu davas,
Mandavas
A quem?!

Quem dera
Que sintas
As dores
De amores
Que louco
Senti!
Quem dera
Que sintas!...
- Não negues,
Não mintas...
- Eu vi!...

[...]

(Casimiro de Abreu)