terça-feira, 21 de junho de 2011

Homenagem ao Nascimento de Machado de Assis (Primeira Parte)


Posto hoje, um cordel em homenagem ao nascimento de Joaquim Maria Machado de Assis, por Gustavo Dourado.

O Bruxo Do Cosme Velho 



Joaquim Maria Machado de Assis:
Do Morro do Livramento.
De um moleque baleiro:
A Gênio e ás no talento...
Mago da Literatura:
Luzeiro do Pensamento...
  
21/06/1839:
Deu-se o seu nascimento
Veio ao mundo no Rio:
Na Quinta do Livramento...
Mestre Machado de Assis:
Expressão do pensamento...

Francisco José de Assis
Maria Leopoldina Machado
Genitores do Escritor:
Mestre, acadêmico, letrado...
A gênese do romancista:
Tenho comigo anotado...
[...]
Garoto pobre-mulato
Na Capital Federal...
Época de febre amarela:
Mínima era industrial...
Tudo era importado:
O Brasil era quintal...
[...]
Londres ditava a moda:
Imperava a escravidão...
Fabricaram a dívida externa:
A capital submissão...
E Machado no cenário
Fluía arte e criação...
[...]
Tornou-se ajudante
Do Diário Oficial...
Registrou em periódicos
Sua obra inicial
Trabalhou em Ministério:
Foi primeiro-oficial...
[...]
Em 1869:
Casou-se com Carolina...
Machado, quase gago:
Escritor de bela sina...
Lutou contra o preconceito:
E conquistou a menina ...
[...]
Falenas...Ocidentais:
Helena...A Cartomante...
Histórias sem Data...Contos:
Machado sempre adiante...
O Alienista...Missa do Galo:
Pulsa alto como Dante...
[...]
Poesia nova, realista:
Distante do Romantismo...
Campanha abolicionista:
Marx e o Comunismo...
Machado além do Real:
Bebeu no Naturalismo...

1878-79:
Em Friburgo, temporada:
Tratamento de saúde:
Novo alento na jornada...
Eis um novo escritor de obra:
Prima...Vera - madrugada...
[...]
Publicou Memórias Póstumas:
Na Revista Brasileira...
É um livro essencial:
Que marca a sua carreira...
Na Gazeta de Notícias:
Foi cronista de primeira...
[...]
Em Machado há ironia:
Dúvida e questionamento...
Capitu traiu ou não?
A resposta voa ao vento...
O Amor tudo ultrapassa:
Revela-se o sentimento...
[...]
20/10/1904
Relíquias de Casa Velha:
Dedicou a Carolina...
"Ao pé do leito derradeiro":
Soneto de verve fina...
Uma pérola na poesia:
Além da prosa cristalina...

1/06/1908:
Pediu licença Machado...
Para tratar da saúde:
Estava debilitado...
Memorial de Aires, romance:
Foi o último publicado...

3h20, 29 de setembro:
Morte do grande escritor...
Em 1908...
Foi-se embora o criador
Saudado por Rui Barbosa:
Magistrado e orador...

Cronista -Teatrólogo:
Poeta, crítico literário...
Jornalista, pensador...
Decifrou o dicionário...
Shakespeare tupiniquim:
Mestre do vocabulário...

Ficou a obra-prima:
Grandiosa, genial...
Há muito influencia:
A cultura nacional...
Machado eternizou-se
No cenário universal...
[...]


Gustavo Dourado

Cantiga sua partindo-se



Senhora, partem tão tristes 
meus olhos por vós, meu bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhuns por ninguém.

Tão tristes, tão saudosos.
tão doentes da partida,
tão cansados, tão chorosos,
da morte mais desejosos
cem mil vezes que da vida.

Partem tão tristes os tristes,
tão fora d’esperar bem,
que nunca tão tristes vistes
outros nenhum por ninguém.

 
João Ruiz de Castelo Branco

 

sábado, 18 de junho de 2011

Todo o Mundo e Ninguém



Ninguém
Que andas tu i buscando?
Todo o Mundo
Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando perfiando,
por quão bom é perfiar.
Ninguém
Como hás nome, cavaleiro?
Todo o Mundo
Eu hei nome Todo o Mundo,
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro,
e sempre nisto me fundo.
Ninguém
E eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.
[Berzebu para Dinato]
Esta é boa expericência!
Dinato, escreve isto bem.
Dinato
Que escreverei, companheiro?
Berzebu
Que Ninguém busca consciência,
e Todo o Mundo dinheiro.
[Ninguém para Todo o Mundo]
E agora que buscas lá?
Todo o mundo
Busco honra muito grande.
Ninguém
E eu virtude, que Deus mande
que tope co’ela já.
[Berzebu para Dinato]
Outra adição nos açude:
escreve logo i a fundo,
que busca honra Todo o Mundo,
e ninguém busca virtude.
Ninguém
Buscas outro mor bem qu’esse?
Todo o Mundo
Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.
Ninguém
E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse...
[Berzebu para Dinato]
Escreve mais.
Dinato
Que tens sabido?
Berzebu
Que quer em extremo grado
Todo o Mundo ser louvado,
e Ninguém ser repreendido.


Gil Vicente

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Trovas Populares

O estudo das primeiras manifestações de Portugal nos leva a valorizar certas produções populares no Brasil que são, de certa forma, herança longínqua dos trovadores medievais. São eles: a trova e o cordel. Vamos Ler?


 Quadras de Saudade

  
1.      Do jardim dos meus amores
            colhi cravos e um narciso,
            mas a mais linda das flores
            foi, meu bem, o teu sorriso!

2.      Ao te ver, tão delicada,
            lindos olhos, mãos mimosas,
            penso que foste formada
            de uma braçada de rosas.

3.      Olhei teus olhos, sorriste:
             olhaste-me, eu te sorri...
             Tu me esqueceste, partiste,
             eu nunca mais te esqueci.

4.      Plantei flores o ano inteiro
            semeei grande variedade;
            só vingou, no meu canteiro,
            uma flor roxa – a saudade.

5.      Meus versos, retalhos da alma,
            que percorrer mundo vão;
            refletem o amor e a calma,
            que habitam meu coração.


Lydia Mombelli da Fonseca